Em todo canto em que eu coube,
não cabia a minha história,
que de andar prá frente,
faz inverno, inferno e glória,
mas, que nada,
eu cantava meu canto,
cabendo ou não na pinóia,
da vida que nunca cabe o homem,
do canto que não cabe a glória.
E em que canto caberia regaço,
pra esse pedaço de ser para frente,
que entre os dentes como um balaço,
sai do ontem tão frio tão duro,
corre légua e fere o horizonte,
como quem anseia futuro.
De carregar meu canto nos cantos todos,
que não me cabem tão cheios de ontem,
baixo meus olhos pra me ver por dentro,
pois que janela mesmo, é o coração.
Esformeado, como se fosse estômago,
estatalado, como se fosse olho,
me lembro logo do que era amanhã,
dou mais um passo e planto minha mão.
De canto em canto, de passo em passo,
De olho em olho, de mão em mão,
Segue a história do que não tinha canto,
Cantando o tanto que pode o coração.
Poemas sem Pensar
segunda-feira, 14 de maio de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Já
Fui andando naquela estrada,
e ela fingindo que não chegava à nada,
mas o relógio não parava,
e quando dei por mim, já estava,
naquele lugar onde tudo contava, e tanto decidido, que já me cercava.
Aprendí que o tempo finge que não passa,
prá passar de mansinho,
por cima de muito sonho.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Não
Não parti!
Não parei!
Não desisti!
Não desanimei!
Ocupei-me de outros e de outras,
coisas, pessoas, pensamentos,
não nessa ordem, nem sequer em nenhuma,
numa outra, tanta necessária sequência,
que não me tive mais o tempo,
de amadurar palavras para deixá-las cair aos pés de quem sou.
Perdão!
Que se percam na dissolução,
esses longos tempos de silêncio,
mas, que silêncio também é palavra,
que sem pausas seriam confusão.
Não parti!
Não parei!
Não desisti!
Não desanimei!
Não parei!
Não desisti!
Não desanimei!
Ocupei-me de outros e de outras,
coisas, pessoas, pensamentos,
não nessa ordem, nem sequer em nenhuma,
numa outra, tanta necessária sequência,
que não me tive mais o tempo,
de amadurar palavras para deixá-las cair aos pés de quem sou.
Perdão!
Que se percam na dissolução,
esses longos tempos de silêncio,
mas, que silêncio também é palavra,
que sem pausas seriam confusão.
Não parti!
Não parei!
Não desisti!
Não desanimei!
domingo, 28 de agosto de 2011
Quem! Sou?
Me surpreende ser quem sou,
esse estranho que vai brotando de tantas e inconsequentes inações ativas,
que sempre me olha da boca dos outros,
das falas alheias,
quem será que sou lá onde não alcança minha pre-tensão?
Coisa palpável e intangível essa que sou,
por isso e por tudo, toda pergunta sobre o ser foi sempre a primeira e única irrespondível,
mãe de todas as perguntas,
nascida do nada que soluçou o ser.
Me olha com olhar de quem acolhe e aprende a gostar-me,
estranho que me faz nascer da tua pergunta,
boca de parto que me pergunta quem sou,
boca de pranto que me pergunta até quando,
boca de pasmo que me pergunta por que,
boca de mundo que me pergunta com quem,
Esse que sou quando me falo,
quando me calo,
quando me ex-pando,
quando me ex-ponho,
quando me ex-piro,
quando me ex-isto,
aquilo,
aquele,
estranho a mim e a quem poderia não ser?
Existir é assistir-se póstumamente.
esse estranho que vai brotando de tantas e inconsequentes inações ativas,
que sempre me olha da boca dos outros,
das falas alheias,
quem será que sou lá onde não alcança minha pre-tensão?
Coisa palpável e intangível essa que sou,
por isso e por tudo, toda pergunta sobre o ser foi sempre a primeira e única irrespondível,
mãe de todas as perguntas,
nascida do nada que soluçou o ser.
Me olha com olhar de quem acolhe e aprende a gostar-me,
estranho que me faz nascer da tua pergunta,
boca de parto que me pergunta quem sou,
boca de pranto que me pergunta até quando,
boca de pasmo que me pergunta por que,
boca de mundo que me pergunta com quem,
Esse que sou quando me falo,
quando me calo,
quando me ex-pando,
quando me ex-ponho,
quando me ex-piro,
quando me ex-isto,
aquilo,
aquele,
estranho a mim e a quem poderia não ser?
Existir é assistir-se póstumamente.
Todos convidados!!
O Núcleo Verbita de Fé e Cultura, em parceria com os cursos de Filosofia e Tecnologia Design de Moda, irá realizar no dia 13 de setembro, mais uma palestra do Projeto Dialogus. O tema discutido será "Os estilos da criação e da percepção,do Belo, do Feio e do Gosto, no mundo contemporaneo" com o professor mestre Emilio Cunha Amorim e o professor Especialista Marcelo Lopardi Mostaro.
domingo, 24 de abril de 2011
Sempre passagem
Desde sempre é sempre passagem,
desde onde alcança a lembrança,
criança?
creança?
Crianças creem muito, duvidam muito,
duvidam do real e creem no irreal.
Então, desde criança é sempre passagem e espera,
Havia a sensação daquele acontecer,
que repousava em cada pequena espera de curto prazo,
que de curtos tornavam-se longos,
esperas são longas para crianças que não conhecem o tempo.
O mundo, para a cre-ança é uma viagem de ida para um lugar desconhecido, cheio de novidades
Vive-se cheio de espera,
Espera é permanente passagem
Esse espaço entre o já e o ainda não,
Entre o desejo e a imagem,
Esse transporte sem porto,
Inquietação sem pausa,
Questão sem resposta,
Aposta sem jogo.
Depois vem o depois
o vácuo existencial entre dois mundos,
adulto que trabalha e creança que brinca,
misturados no mesmo mercado,
adulto que deseja e criança que brinca de satisfação
satisfação infantil do velho desejo sem idade?
Hormônios muitos,
Transformações muitas,
Pessoas muitas dentro de muitos corpos sobrepostos,
Partes de um vir-a-ser,
Era mais uma passagem.
O fim...
quando o corpo termina seu trabalho e se veste de juventude,
agora ele é tudo o que deveria ser e a natureza ja lhe entregou todos os seus presentes,
mas sou psicosoma,
e a mente olha pra fora e dentro,
e se busca,
se recolhe, encolhe e escolhe.
E meio que moramos nessa casa muito, muito tempo depois.
A passagem continua lá nos olhando e sorrindo
enquanto retiramos a mudança do caminhão com um gosto de permanência.
Daí a formação, carreira, maneira
maneiras de realizar planos, projetos, propostas,
tudo é pró e movimento, tudo é corrida e busca,
Os alvos ainda são horizontes cheios da habilidade da fuga.
Construção, habitação, ampliação, ocupação,
Do terra, da era, da guerra, da espera.
A luta pela vida nos ocupa
e sobreviver também é passagem.
Como termina não sei
não ví porque não viví.
Mas, parece que foi sempre passagem
e talvez assim
sempre será.
desde onde alcança a lembrança,
criança?
creança?
Crianças creem muito, duvidam muito,
duvidam do real e creem no irreal.
Então, desde criança é sempre passagem e espera,
Havia a sensação daquele acontecer,
que repousava em cada pequena espera de curto prazo,
que de curtos tornavam-se longos,
esperas são longas para crianças que não conhecem o tempo.
O mundo, para a cre-ança é uma viagem de ida para um lugar desconhecido, cheio de novidades
Vive-se cheio de espera,
Espera é permanente passagem
Esse espaço entre o já e o ainda não,
Entre o desejo e a imagem,
Esse transporte sem porto,
Inquietação sem pausa,
Questão sem resposta,
Aposta sem jogo.
Depois vem o depois
o vácuo existencial entre dois mundos,
adulto que trabalha e creança que brinca,
misturados no mesmo mercado,
adulto que deseja e criança que brinca de satisfação
satisfação infantil do velho desejo sem idade?
Hormônios muitos,
Transformações muitas,
Pessoas muitas dentro de muitos corpos sobrepostos,
Partes de um vir-a-ser,
Era mais uma passagem.
O fim...
quando o corpo termina seu trabalho e se veste de juventude,
agora ele é tudo o que deveria ser e a natureza ja lhe entregou todos os seus presentes,
mas sou psicosoma,
e a mente olha pra fora e dentro,
e se busca,
se recolhe, encolhe e escolhe.
E meio que moramos nessa casa muito, muito tempo depois.
A passagem continua lá nos olhando e sorrindo
enquanto retiramos a mudança do caminhão com um gosto de permanência.
Daí a formação, carreira, maneira
maneiras de realizar planos, projetos, propostas,
tudo é pró e movimento, tudo é corrida e busca,
Os alvos ainda são horizontes cheios da habilidade da fuga.
Construção, habitação, ampliação, ocupação,
Do terra, da era, da guerra, da espera.
A luta pela vida nos ocupa
e sobreviver também é passagem.
Como termina não sei
não ví porque não viví.
Mas, parece que foi sempre passagem
e talvez assim
sempre será.
domingo, 6 de março de 2011
Densidade
Há um rio subterrâneo que se pode tocar
Sua água refrigera o calor de cada dia sem sentido
A transparente leveza encanta e transporta
Nos buracos de todas as nossas experiências densas, essa água jorra
para além da tristeza calculável de nossas insatisfações materializadas
para além do nosso desejo siliconizado
um pouco mais exigente do que o planejamento orçamentário mensal,
distante um tanto de nossa planilha de carreira
alguns graus a mais ou a menos dos focos de nossos objetivos.
Ao mesmo tempo aquém de tudo isso!
Todos já bebemos dela
Todos dela já nos deleitamos,
Imperceptivelmente,
Sua alegria visita a alma póstumamente,
e sentimos que um alguém nos visitou, pelo perfume que se fez rastro.
Água que faz tremer de calor.
Água que engrossa na boca e ocupa o ventre.
Alimenta
e chamá-la de espiritual é ofendê-la,
pois que é a densidade
densidade é o sustento de tudo o que valeu!
É o que se sente depois do esforço para além do possível,
É o que se impõe como certeza construída e bastante,
Esta água canta na música
goza no sexo,
aparece por entre as frestas da experiência de amor,
E por entre as frestas da vida a buscamos
e buscamos, e buscamos
Sede é o nome da vida vivida como deveria ser
deserto é o nome do mundo
e água é sempre a RES posta,
latinamente coisa,
latinamente dada,
Salvação da super - ficialidade
não somos criaturas do fato dado,
somos criadores de fatos,
e neles vivemos, nos movemos e somos.
Profeta da água é todo aquele que subverte
verter para o que há de sub é tarefa de profeta,
in-comodo,
in-hóspito
in-sólito
Lembrar de como tudo pode ser mais denso
é ser fonte de água,
da água que jorra por entre as frestas do real
e nos faz sempre de-novo
viver.
Sua água refrigera o calor de cada dia sem sentido
A transparente leveza encanta e transporta
Nos buracos de todas as nossas experiências densas, essa água jorra
para além da tristeza calculável de nossas insatisfações materializadas
para além do nosso desejo siliconizado
um pouco mais exigente do que o planejamento orçamentário mensal,
distante um tanto de nossa planilha de carreira
alguns graus a mais ou a menos dos focos de nossos objetivos.
Ao mesmo tempo aquém de tudo isso!
Todos já bebemos dela
Todos dela já nos deleitamos,
Imperceptivelmente,
Sua alegria visita a alma póstumamente,
e sentimos que um alguém nos visitou, pelo perfume que se fez rastro.
Água que faz tremer de calor.
Água que engrossa na boca e ocupa o ventre.
Alimenta
e chamá-la de espiritual é ofendê-la,
pois que é a densidade
densidade é o sustento de tudo o que valeu!
É o que se sente depois do esforço para além do possível,
É o que se impõe como certeza construída e bastante,
Esta água canta na música
goza no sexo,
aparece por entre as frestas da experiência de amor,
E por entre as frestas da vida a buscamos
e buscamos, e buscamos
Sede é o nome da vida vivida como deveria ser
deserto é o nome do mundo
e água é sempre a RES posta,
latinamente coisa,
latinamente dada,
Salvação da super - ficialidade
não somos criaturas do fato dado,
somos criadores de fatos,
e neles vivemos, nos movemos e somos.
Profeta da água é todo aquele que subverte
verter para o que há de sub é tarefa de profeta,
in-comodo,
in-hóspito
in-sólito
Lembrar de como tudo pode ser mais denso
é ser fonte de água,
da água que jorra por entre as frestas do real
e nos faz sempre de-novo
viver.
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